EU ERA UM CDF

Eu era um CDF.

Esse era o termo usado na época: o garoto que se preocupava com detalhes, que fazia fichamentos das aulas. Extremamente empenhado, tinha ganância por notas
altas, uma abelha-operária – o garoto – e posso vê-lo claramente agora, com 45 anos depois, debruçado sobre um livro, espremendo os olhos para conseguir ler sob a luz de uma luminária de mesa barata.

Também o vejo no início da manhã, de pé e já estudando às 6 horas: segundo ano, Ensino Médio, o estômago queimando por não ter conseguido aprender totalmente – o quê? A fórmula de Bhaskara?
As condições da compra de Louisiana? A política do Lend-Lease,* o teorema do valor médio, o uso da ironia de Eliot como metáfora para… Qualquer porcaria?
Não importa!

Tudo isso já é passado, todo o currículo escolar. Só o que resta é o medo. O tempo corre, há questões demais para aprender, algumas das quais provavelmente inatingíveis. Mas também há algo mais, um sinal de baixa frequência que levamos um tempo para captar, como uma torneira pingando em
um banheiro no andar de baixo: a dúvida. A incômoda sensação de ter falhado, de alguma forma, enquanto os alunos mais talentosos chegavam ao pódio sem qualquer esforço. Como tantos outros, cresci acreditando que o aprendizado significava autodisciplina: a difícil e solitária escalada do íngreme penhasco do
conhecimento até o local no qual as pessoas inteligentes viviam. Fui mais
influenciado pelo medo de cair que por qualquer outro fator, como a curiosidade ou o questionamento.

Esse medo resultou em uma espécie ímpar de aluno. Para meus irmãos, eu era aperfeição em pessoa, o compenetrado irmão mais velho que praticamente só tirava nota 10. Para os colegas de classe, era o Homem Invisível, inseguro demais quanto à absorção do conteúdo para me manifestar.
Não culpo meu jovem eu, meus pais e meus professores por essa dupla
personalidade. Como poderia? A única estratégia que conhecíamos, na época, para aprofundar o aprendizado – comportar-se como um burro de carga – funciona, até certo ponto; o esforço é o fator mais importante no sucesso
acadêmico.

No entanto, já vinha usando essa estratégia. Eu precisava de algo mais, algo diferente – e sentia que tinha de existir.
Para mim, o primeiro indício de que o “algo mais” existia eram os outros alunos, aqueles dois ou três garotos das aulas de álgebra ou de história que tinham – o que mesmo? – a cabeça fria, a capacidade de fazer o melhor, sem aquele olhar
apavorado. Como se soubessem que não havia qualquer problema em não entender tudo de imediato; que, com o tempo, todo o conteúdo seria introjetado; que suas dúvidas eram, em si, um valioso instrumento.
Mas a verdadeira experiência transformadora para mim veio mais tarde, quando me candidatei à faculdade, que sempre fora meu objetivo, é claro. E foi um
fracasso; fui um fracasso. Mandei uma dúzia de pedidos de inscrição, todos recusados. Todos aqueles anos de trabalho dedicado, e, no final, não conseguira nada além de uns poucos finos envelopes e uma colocação na lista de espera – para uma faculdade que acabei frequentando por um ano, antes de ter de sair.

O que dera errado?
Não fazia ideia. Fui ambicioso demais, não era perfeito o suficiente, entrei em pânico durante os SATs.** Não importava. Eu estava ocupado demais com a sensação de rejeição para pensar a respeito.
Não, era pior que rejeição. Eu me senti um idiota. Como se tivesse sido enganado por alguma seita fraudulenta de autoaperfeiçoamento, tendo pagado os honorários de um guru que fugira com o dinheiro. Então, depois de cair fora,
mudei de atitude. Relaxei. Parei de correr atrás. Ampliei as margens, para
parafrasear Thoreau. Não se tratava exatamente de uma grande estratégia – eu era adolescente, não tinha uma visão tão ampla –, como um simples instinto de levantar a cabeça e olhar ao redor…..bem, aonde vamos chegar????

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